sexta-feira, setembro 16

Televisão com isenção é a solução.

A televisão, mesmo com o advento da internet, assume o papel de meio de comunicação mais presente na vida do brasileiro. É a ela que a maioria do povo recorre quando precisa de informações ou precisa relaxar. Algumas críticas a este meio podem até ser válidas, entretanto não tiram a credibilidade da televisão quando esta atinge seu objetivo central: transmitir.
As críticas mais frequentes à televisão estão relacionadas ao seu fator de alienação. A TV, como já foi dito, tem papel de destaque na vida do brasileiro, porém quando uma emissora não apresenta isenção, ela pode acabar alienando seu telespectador. Alienar seria criar no telespectador um comportamento padrão, no qual ele aceita qualquer informação que lhe seja passada sem questionar. Quando a TV transmite com isenção, ela abre espaço para o telespectador aguçar seu senso crítico processando a informação e decidindo que posição tomar diante dela.
Existem também as novelas que geralmente apresentam uma fábula moderna, na qual a "mocinha" sofre por ter uma boa conduta até conseguir um "feliz para sempre". Não há como negar que as novelas geram no telespectador o desejo de querer aquele final feliz, mas os contos de fada infantis produzem o mesmo efeito. Eles fazem as pessoas acreditarem que o bem será recompensando, enquanto aquele que pratica o mal será punido. 
A televisão pode servir como meio de alienação sim, quando não é feita de maneira ética e tenta impor a opinião daqueles que a fazem como verdade absoluta. Mas se feita de maneira certa, com isenção, correção e pluralidade, a TV tem o poder de criar e/ou aguçar sensos críticos, informar o que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo naquele dia e, ainda, de divertir.

segunda-feira, julho 25

Desejos.

Quero a inquietação de uma discussão inteligente e ser pega de surpresa por um argumento inesperado. Quero olhar fundo nos olhos e esquecer por um momento de respirar. Quero a ansiedade para o encontro e a tristeza da separação. Quero o passeio de mãos dadas e o sussurro no portão, a emoção do beijo roubado e o rubor crescente a cada toque. Quero a esperança pelo final feliz e a ilusão de que ele realmente irá acontecer. É demais pedir por um romance à la Jane Austen?

quarta-feira, abril 20

À força.

Onde pensa que está indo? Não, não. Fique aqui! Isso mesmo, sentada aí. Agora olhe pra mim. OLHE PRA MIM! Olhe no fundo dos meus olhos... Isso... Sorria, sorria mais. Mostre os dentes, tem que parecer verdadeiro! Melhor... Seus olhos tem que brilhar, tem que estar iluminados. POR QUE ELES NÃO BRILHAM? Ah, agora está chorando? Sua... Não, não. Isso é ótimo. As lágrimas são para expressar o que você sente, não é? Muito bom, muito bom. Agora, coloque aquele sorriso de volta no seu rosto. Isso, perfeito. Agora faça o que te pedi no começo. Faça logo!
"Eu te amo", ela disse baixinho, com muito esforço.
Eu não ouvi. O que você disse? Fale mais alto. Grite! Quero que todos ouçam. Anda, diga logo. Eu não tenho o dia todo.
"Eu te amo", falou ela com mais força. 
Esse é o melhor momento da minha vida, você me ama... Eu sempre quis ouvir isso de você. Eu, eu não sei o que dizer. Obrigado.
E assim ele saiu, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse imposto aquelas palavras, aquele sentimento à criatura que ele dizia amar. Amor hoje é uma palavra tão banalizada.

terça-feira, abril 19

Suspiro.

Agora é madrugada e enquanto tento dormir, vários pensamentos passam por minha cabeça. Dos mais ridículos até as mais perfeitas fantasias. Fantasias onde estamos juntos. Fantasias onde seu corpo está tão próximo do meu que quase me falta espaço para respirar. Fantasias onde sua mão encosta na minha causando assim uma corrente elétrica que passa por cada um dos meus dedos até chegar ao meu coração, eletrizando-o e acelerando-o, que chego a pensar que o mesmo irá parar. Fantasias onde sua boca está próxima a minha e tudo em que consigo pensar é em tê-la cada vez mais próxima... 
Essas fantasias tomam conta de mim, fazem-me suspirar pelos cantos. Fazem-me suspirar suspiros poéticos de saudade daquilo que nunca tive.

segunda-feira, abril 18

De mãos dadas.

No meio da multidão ela era só mais uma, mas no círculo de amigas em que se encontrava, ela era a diversão em pessoa. Dançava como se não houvesse amanhã e ria a cada movimento que fazia, ria aquele riso do tipo contagiante, que lembrava o de uma criança. Mas entre ela e uma criança, a única semelhança era o riso, pois a boca e o resto do corpo eram dignos de publicações masculinas, logo, a moça arrancava suspiros dos rapazes por onde quer que passasse. "Formosa desse jeito, só podia ser metida!", dizia Flúvio de Zezé, bom partido que havia caído no feitiço da bela moça, mas que como todos os outros rapazes recebera um "não" ao convidá-la para um simples arrasta-pé. A fama de intocável onseguia ser ainda maior do que sua beleza; era taxada de fria por recusar os garotos.
Em meio à festa que já ia se arrastando pela noite, todos continuavam a cortejar a bela moça, mas ela os ignorava. Fazia isso como esporte, e atraia assim mais rapazes que tentavam a sorte e mais amigas que adoravam vê-la recusando-os das maneiras mais inusitadas e que sempre acabavam aproveitando para consolá-los.
Quando o pé começou a reclamar, ela decidiu ir para a casa. Não havia mais nada para fazer naquele baile de São João. Então pegou sua bolsa e andou em direção a porta, mas uma das alças de sua bolsa se partiu, fazendo com que ela tropeçasse e caísse de cara no chão. Ela caiu de cara no chão. No meio do salão. No mesmo momento a banda parou de tocar e todos se viraram para ver a queda da rainha do gelo. Ela passou alguns minutos no chão, esperando que um de seus admiradores ou amigas a ajudasse a levantar. Mas nenhum deles se apresentou. Percebendo que se não fosse por conta própria, ela nunca sairia dali; reuniu forças e ficou em pé. Ao fazer isso reparou na quantidade de rostos que a encaravam e seu rosto adquiriu um tom de vermelho jamais visto. 
Sentindo seu rosto esquentar, ela colocou a bolsa debaixo do braço e saiu determinada em direção à porta. O som de seus sapatos ecoava no piso de madeira. Quando estava fora do salão, ela sentou no chão e colocou as mãos no rosto percebendo a vergonha que acabara de passar. "Parece que sempre andei de mãos dadas contigo, solidão, mas só agora percebi.".

sábado, abril 16

Encantados.

Espiou pela janela por um minuto, fechou os olhos e sentiu a brisa tocar suavemente o seu rosto, sentiu também o cheiro da chuva que caíra pela tardezinha. Chuva essa que significava renovação. Ao perceber isso um sorriso arteiro brotou em seu rosto, mas ao abrir os olhos o sorriso se desfez quando encontrou o relógio. Estava quase na hora... 
Abriu a mala e um por um, pôs seus vestidos dentro dela, dobrando-os cuidadosamente, como se fossem os bens mais preciosos que possuía. E na verdade eram. Cada um deles trazia uma memória à tona. Cada um deles fora escolhido à dedo para impressionar, para alegrar, para seduzir... Novamente aquele sorriso voltou ao seu rosto e a lembrança que cada um de seus vestidos guardava passou por sua mente como num curta-metragem. 
Logo que concluída a tarefa, fechou a mala em tempo de escutar um gorjeio e assim, com este simples gorjeio, seu coração disparou. "É ele!", pensou a moça. Correu para o balcão só para confirmar e, sob a luz da mais bela lua cheia, ela o viu. Usava suas vestes de sempre, simples para os padrões da alta sociedade que só o enxergavam como um mero fazendeiro. Mas para ela eram vestes dignas de um rei, eram vestes que tinham o seu cheiro, a sua essência. Ao lembrar do cheiro dele seu coração pareceu pifar mas ela tinha se acostumado com essa situação sempre que estava perto dele.
Ela então sorriu o sorriso mais verdadeiro e doce que já dera em toda a vida e apesar da escuridão da noite, ela pode ver que os olhos dele brilharam ao perceber o sorriso. E não pôde esperar para estarem juntos novamente, ela segurou a mala debaixo de um de seus braços, deu um singelo adeus ao seu quarto que fora cúmplice de seus encontros secretos e desceu as escadas como se dançasse o ato final de O Lago dos Cisnes, com passos precisos, rápidos e silenciosos. Ao chegar ao salão principal parou, espiou por trás do ombro em direção à cozinha, queria se despedir de sua fiel confidente, mas não havia tempo para despedidas. 
Correu em direção a porta, sem olhar para trás novamente, e logo se viu na escuridão sozinha. Livre. Em poucos segundos, ele apareceu sorrindo e esbanjando a felicidade que sentia diante dessa nova fase de suas vidas. Segurou a mala dela para que a moça erguesse a cauda de seu belo vestido rendado evitando que o mesmo sujasse. Então deram um rápido beijo e ele a ajudou a montar no cavalo, ou o alazão como ela preferia chamar, e assim seguiram viagem sem trajeto definido, apenas em busca da tão famosa felicidade.

quinta-feira, fevereiro 3

Super-heróis a qualquer custo?

Super-heróis possuem super poderes. Alguns tem a pele resistente como diamantes, outros conseguem se tornar invisíveis e os super-heróis brasileiros conseguem vencer a defasagem do sistema educacional e conseguem vagas em várias faculdades de grande renome. Os super-heróis que tem a pele de diamantes e são invisíveis possuem identidades secretas para evitar que seus super poderes interfiram em suas vidas pessoais. Os super-heróis brasileiros deveriam, entretanto não possuem esta regalia e assistem enquanto suas vidas pessoais são tomadas pelo caos que vêm com seus super poderes. Afinal, como já disse o avô do famoso Homem-Aranha, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". A pergunta é, será que os super-heróis brasileiros estão preparados, ou sequer, merecem ter suas vidas convertidas em caos para derrotar o monstro do vestibular?
A maioria dos brasileiros já está familiarizada com o sufoco pelo qual os estudantes passam ao chegarem no último ano do colégio, pois é nele que se encontra um grande desafio: Passar no vestibular. Hoje essa tarefa pode ser considerada suavizada com o número de faculdades existentes, é só ter uma carteira recheada e qualquer um pode se matricular em qualquer curso com a maior facilidade. Porém, os super-heróis não querem apenas passar no vestibular, eles querem entrar nas melhores faculdades e é aí que começam os problemas. A maioria das melhores faculdades são as públicas e nelas não é uma carteira recheada que fará qualquer um entrar. A concorrência é enorme, as provas são cansativas e o sistema educacional mais uma vez mostra suas falhas ao apresentar um injusto sistema de cotas. Tudo isso na cabeça de um jovem que vive em constante pressão da sociedade para se provar acaba criando os super-heróis brasileiros, que nada mais são do que jovens que desistem de suas vidas pessoais para se tornarem escravos do sistema sob um ponto de vista, e heróis de uma comunidade sob outro. É mesmo necessário tirar a vida pessoal de um jovem, que é de tanta importância nessa idade, para que ele consiga ter uma boa vida profissional? Não é justo, mas infelizmente é necessário na condição que se encontra este país. 
O sistema educacional brasileiro não possui uma boa base, logo, o aluno vai crescendo com deficiências e quando chega ao terceiro ano tem que correr atrás de todo o prejuízo acumulado resultando na perda de uma parte importante de sua vida que pode levar a criação de um adulto inconsequente que sempre tentará preencher o tempo perdido se comportando como um eterno adolescente. Para que isto não aconteça é necessário um forte investimento do governo, de preferência com o redirecionamento de algumas verbas para o sistema educacional priorizando a educação infantil e fundamental e acabando com o conceito de escolas de excelência, pois estas nada mais são do que uma maneira sutil de privilegiar uma pequena parcela da população. Temos que dar o direito de nossos super-heróis usarem identidades secretas para que seus super poderes não afetem suas vidas, afinal, no mundo real, o dia dificilmente acabará salvo pelas "Meninas Super Poderosas".